terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Pedidos de Desculpas

Qualquer pessoa sabe que erra, quando erra. A não ser um monstro, todas as pessoas têm consciência e após cometerem um erro, grave ou não, sentem culpa. Podem não admitir, mas, lá no fundo, existe essa consciência.
Conheci um casal que, devido à brigas cotidianas bobas, ficou mais de 30 anos sem se falar, vivendo na mesma casa. Já no final da vida, finalmente, pediram desculpas um para o outro. Não consigo pensar em um exemplo maior de orgulho. É como se cada um soubesse sempre dos seus próprios erros, mas não quisesse admitir. E, na medida em que os dois cresceram em um período no qual a separação era impensável (até de certa forma ilegal), eles não precisavam admitir ou superar, pois de toda forma estariam casados – se falando ou não.
O que este exemplo também ilustra é que pedir desculpas tem uma função. Se há um erro, se há consciência de que há um erro, mas não há necessidade, para quê pedir desculpas? Em outras palavras, qual é a função e o que é um pedido de desculpas?
Um pedido de desculpas, como sabemos, é um comportamento verbal, falado ou escrito: “Te peço desculpas por ter feito aquilo”… “Me desculpe por ter falado daquela forma”…
Ou seja, são palavras ditas por alguém para algum outro ou outra. Existe certa relação com culpa (des-culpa). A outra pessoa pode aceitar ou não o pedido. Em todos os casos, um pedido de desculpas são apenas palavras. Talvez as palavras contenham uma promessa: “Não farei novamente”.

A mudança de comportamento

Uma boa parte da psicologia clínica lida com a mudança de comportamentos. E, por esta razão, é de especial interesse para nós, psicólogos clínicos, saber como o comportamento muda. Didaticamente, podemos dizer que existem variáveis que alteram o agir.
  1. Intervenções físicas: se uma pessoa utiliza algum tipo de substância química que altere o seu sistema nervoso central, ela com certa probabilidade terá modificações em seu comportamento. Desde um relaxante muscular até uma droga excessivamente forte como o crack, passando pelo álcool, tabaco e café, substâncias específicas influenciam.
  2. Contexto ou ambiente: o famoso dizer “diga-me com quem anda que direi quem és” – embora controverso – indica que o contexto social pode mudar o comportamento. Isso não significa que todo mundo é volúvel, mas é certo que falamos e agimos de certa forma com a família, de outra com os amigos e de outro com desconhecidos (apenas para exemplificar).
Analisando por outra perspectiva, podemos ver que a mudança de comportamento ocorre sob duas condições:
  1. Comportamento influenciado por contingências: depois de ter uma ressaca homérica por ter bebido vodka, uma pessoa nunca mais toma vodka. Neste caso, as consequências diretas ocasionam a transformação.
  2. Comportamento governado por regras: dizem que, inicialmente, a proibição de comer carne de porco – entre os judeus – era uma questão de saúde pública. Quer dizer, recomendou-se em virtude de problemas com a carne. Porém, a recomendação virou uma regra: “nunca comerás carne de porco”.
Uma maneira de entender estas duas condições é pensar que aprendemos pela experiência e aprendemos por orientações, por ouvir dizer (apesar que um comportamento governado por regras pode também ser auto-imposto).


O melhor pedido de desculpas

Se alguém nos magoa, ouvir um pedido de desculpas pode aliviar um pouco o sofrimento. Porém, se a pessoa age do mesmo jeito de novo e de novo e torna a se desculpar, com o tempo, as desculpas acabam parecendo cada vez mais vazias.
E, embora o ideal fosse ter a capacidade de perdoar centenas ou milhares de vezes, nem sempre vai existir a capacidade ou a vontade de fazê-lo.
Muitas vezes, aceita-se um pedido de desculpas com a condição de que não aconteça mais o que aconteceu. Se isso não se realiza, cria-se o sentimento de desconfiança e talvez até de afastamento definitivo.
Um exemplo empresarial. Certa vez, contratei o serviço mensal de uma grande empresa. Contudo, a empresa passou a me cobrar – automaticamente – faturas duplicadas. No primeiro mês, aceitei o estorno e o pedido de desculpas pelo erro. No segundo mês em que as faturas foram novamente duplicadas, cancelei o serviço.
Através deste exemplo, vemos que a não mudança de comportamento, neste caso da empresa, indica a probabilidade alta de que o comportamento se repita no futuro.

Conclusão

Lidar com pessoas é muito complicado porque cada pessoa tem a sua história de vida, e cada comportamento é influenciado pela junção de vários fatores. Razão pela qual é impossível controlar o comportamento alheio, não importa se é um parente próximo como um filho ou irmão, um namorado ou namorada, esposa ou marido.
Mas há uma saída. Cada um pode controlar em grande medida o seu próprio comportamento. Podemos esperar 30 anos para pedir desculpas, ou não. Podemos escolher uma empresa que faça o que promete e cobre de acordo. Podemos escolher, igualmente, as pessoas com as quais queremos conviver e compartilhar os momentos dessa vida.
Felipe de Souza  Psicólogo Clínico e Online (CRP 04/25443)

O Castelo de Areia: A Arte de Se Reconstruir




Em algum momento, desejei que tudo isso pudesse ter acontecido em outra vida. Permiti que tentassem roubar, mais uma vez, a minha alegria e o meu sorriso. Às vezes, entregamos a algumas pessoas algo que não deveríamos dar. Nem todos sabem amar, nem todos foram amados ou aprenderam sobre esse sentimento; elas simplesmente não o conhecem. Essas pessoas aparecem em nossas vidas e insistem em entrar de algum jeito... Usam mil formas até conseguirem uma brecha e, infelizmente, com uma vontade imensa de nos destruir, elas conseguem. Fazem promessas e nos alimentam com nada além de mentiras. Não imaginamos que, em algum momento da nossa história, seremos pegos, que seremos presa para alguém e que, no meio de toda essa bagunça, estaremos cegos. Uma pessoa assim pode desestruturar a nossa história, destruir tudo. Ela aparece te encarando como se fosse o teu amor verdadeiro, como se fosse o amor da sua vida. Insiste e tenta de todas as formas entrar no seu caminho; é incrível a insistência e o tempo que alguém se coloca disponível apenas para enganar e persuadir. Começam se aproximando com pedidos para conversar sobre assuntos pessoais mal resolvidos. 

Desconfiamos das intenções dos outros, mas nunca sabemos o que realmente se passa no coração deles. Algumas pessoas entram na nossa vida naturalmente; outras forçam a barra. Meninas, não deixem que essas pessoas forcem algo quando a decisão é unicamente sua. Não permitam que certos homens decidam ou escolham por vocês, tirando o rumo natural das suas vidas e roubando escolhas que deveriam ser suas por direito. A vida é mesmo uma caixinha de surpresas; às vezes, esse ditado faz tanto sentido. Surpresas boas e surpresas terríveis... Assim como a aproximação de certas pessoas pode mudar completamente tudo o que planejamos. Penso na nossa vida como um castelo que construímos na areia: de repente, sem nenhum alerta, alguém se aproxima e destrói grande parte dele. E para erguer esse castelo novamente? Exigirá muita força, inteligência e sabedoria. Ninguém consegue ir além de imaginar o que o outro sente. Eles só imaginam mesmo. Enfim, em nenhum momento pensei que passaria por algo desse tipo. Nunca imaginei encontrar alguém tão infeliz com a própria vida a ponto de cometer uma maldade com outra pessoa e, apesar de tudo, conseguir estar dentro e fora de algo ao mesmo tempo. Após o quadro pintado, tentam pintar por cima para esconder a verdadeira imagem, criando uma falsa aparência.


 Nunca achamos que essas coisas podem acontecer com a gente. Acreditamos que somos "café com leite" neste mundo e que estamos isentos das maldades e das perversidades. Mas tudo isso nos acrescenta como experiência, e toda ela é nossa, é a nossa vivência. Eu agradeço a Deus, de verdade, por tudo o que passei. Hoje me sinto muito mais forte, porém reconheço minha enorme fraqueza e limitações. Oro agradecendo por todo o cuidado que Ele tem tido comigo e digo: "Senhor, obrigada pela Tua presença quando todos aqueles que eu pensava que fossem meus amigos (com quem sorri, dividi momentos particulares e compartilhei partes de mim)  hoje talvez zombem ou me crucifiquem. Obrigada por me permitir enxergar aqueles que cospem suas hipocrisias e por saber que, apesar da minha natureza humana, o Senhor cuidou de mim, me deu colo e vários abraços." Hoje me sinto melhor. Essa foi a parte boa de todas as coisas ruins que aconteceram.

 A verdadeira força não é sobre se sentir invencível ou fingir que nada nos abala: é justamente sobre saber onde dói, reconhecer nossas feridas e nossos limites humanos. É identificar o que e quem nos dá força e faz viver a nossa alma.  

Obrigada DEUS, por ter sido o meu rochedo, mesmo a minha vida sendo tão frágil como um castelo de areia. 



 




Dependência

"Nos fizeram acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só tem sentido quando encontramos a outra metade."

 "Não fomos informados de que nascemos inteiros e que ninguém deve assumir a responsabilidade de completar o que nos falta. (John Lennon)  Nos fizeram acreditar numa fórmula chamada: “dois em um”."    

 "Duas pessoas pensando e agindo da mesma forma era o que funcionava. Isso tem um nome: anulação. Somente indivíduos com personalidade própria podem ter um relacionamento saudável". (John Lennon) 

Não preciso provar nada para ninguém, só O amor é liberdade e crescimento, em vez de posse e limitação. a mim mesmo. Não há incompatibilidade entre amar o outro e amar a você mesmo.Não dependa de ninguém neste mundo, porque até mesmo sua própria sombra o abandona na escuridão.








Se você fica feliz apenas dando afeto, verifique sua autoestima.Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não era saudável: pessoas, situações e tudo que me empurrava para baixo. "No início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje a chama de amor próprio.A vida não admite representantes."

"Ninguém pode aprender e crescer por você. Ninguém pode fazer por você o que você mesmo precisa fazer". (Jorge Bucay)

Depender da pessoa que amamos é uma forma de nos enterrarmos em vida, um ato de automutilação psicológica onde o amor próprio, a autoestima e sua essência são oferecidos irracionalmente.