sexta-feira, 3 de julho de 2026

Michael Jackson - A Chama Que O Mundo Não Soube Cuidar


Falar sobre Michael Jackson é falar sobre a insistência da luz diante da sombra. Desde muito cedo, o mundo conheceu o seu brilho e o seu talento, ele tinha um destaque, ele era diferente, tinha uma energia diferente, mas poucos viram as marcas deixadas nos bastidores. A essência do Michael nem a maldade e a perversidade do pai conseguiram destruir. Ele era forte e tentou, com a força do seu amor, trazer ao mundo uma visão de cura, paz e inocência. 







 No entanto, o palco que o consagrou também se tornou o cenário de sua maior dor e solidão, sem o apoio necessário e cercado por expectativas desumanas, ele foi se desgastando. Ele tinha muito amor: apesar da dor profunda, ainda tinha muita esperança de mudança do mundo. Mas as pessoas e a indústria não souberam retribuir. A chama da sua energia foi se enfraquecendo. Como lutar contra um sistema e grande número de pessoas que não querem ser curadas?! Diante de tanta perseguição e maldade, o seu corpo já não estava mais conseguindo sustentar o peso de carregar tanta dor. Imagino o quão solitário ele era, tentando preencher tantos vazios com bens materiais. Nem mesmo com tanto dinheiro, foi possivel comprar a paz. 

Há quem olhe para o Rei do Pop e veja apenas o mito, mas olhando com a lupa da empatia, o que se encontra é uma alma que resistiu. O mundo é um ambiente hostil para quem é feito de sensibilidade; e ele era transbordado. 

Talvez o grande erro da nossa sociedade seja moldar os raros poços de pureza ao nosso próprio cinismo e hipocrisia. Quando alguém se recusa a endurecer, está nadando contra a correnteza, e quando assume a autonomia da própria vida, ele quebra e rompe esse vinculo de repetição e destruição. 

O sistema "digo isto de forma geral" estranha, persegue e desgasta. Penso sobre o quanto uma sociedade pode influenciar em nossas vidas, Quantas e quantas vezes ocultamos nossa verdadeira personalidade só para nos encaixar em ambientes, nos silenciamos, nos tornamos submissos a regras que nos são impostas por medo e por termos sido condicionados a não questionar e enfrentar ou simplesmente aceitamos o apagamento da nossa própria essência. Como conter essa pressão invisível que sofremos da sociedade? Como reduzir os impactos da despersonalização da sociedade? 


O mundo consome o nosso brilho e não costuma tolerar a nossa vulnerabilidade. Quando fugimos de um padrão somos rejeitados. 
Demostrar sentimentos é visto como fraqueza, muitas vezes podemos nos sentir perdidos sem saber como devemos nos comportar na sociedade; talvez ele nunca aceite quem realmente somos, e é completamente inútil desejar isto, O Michael Jackson foi coroado e ovacionado pela mesma sociedade que mais tarde também o condenou e alimentou -se de sua dor e vulnerabilidade.  

No final, a trajetória de Michael não é apenas de um gênio incompreendido, mas um reflexo da nossa própria covardia.   

Ao olhar para a vida do Michael, pelo o que conseguimos ter acesso, reflito muito sobre a importância do acolhimento, especialmente dos sensíveis, e de proteger a pureza, ela é tão valiosa quanto o ouro e tão escassa quanto a água no deserto. Não é á toa que o texto sagrado afirma que somente os puros de coração verão a Deus. Afinal, vivemos em uma realidade tão corrompida que para manter a alma e a mente limpa e intacta, é necessário construir uma fortaleza interna garantindo que não nos desconectemos da nossa única parte divina que nos resta e nos leva a Ele. 




A partida do Michael não foi uma derrota para a sua essência, acredito muito que ele teria feito a mesma coisa um milhão de vezes se assim fosse possível. Mas é apenas um reflexo de um mundo que ainda e dificilmente aprenderá a acolher o que é genuíno. Timidamente, mas ao mesmo tempo corajosamente Michael Jackson mostrou ao mundo a essência de um homem, mesmo que traumatizado mas cuja capacidade se manteve como criança, ele amou, cuidou, brincou ele buscou se manter inteiro mesmo sendo rasgado, quebrado e surrado muitas e muitas vezes. Ninguém pode apagar o legado de um homem negro que conquistou o mundo mesmo que esse mesmo mundo não o tenha valorizado.





Ele venceu barreiras monumentais como um homem, mas se manteve fiel á infância interna. 



 Ele nos deixou o espelho; olhar para a sua trajetória é, acima de tudo questionar que tipo de ambiente estamos criando para as almas genuínas que só sabem amar.